quinta-feira, 25, junho , 2026 01:46

Michelle Bolsonaro acusa Flávio de “humilhação” em briga política



A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (24), vídeos nas redes sociais acusando o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “maltrato e humilhação”. A briga, que se arrasta desde o fim de 2025, teria sido motivada por profundas divergências políticas envolvendo a aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, expondo um racha na família Bolsonaro. Michelle afirmou que ambos não se comunicam há meses.

No depoimento, a ex-primeira-dama relatou o teor de uma conversa. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle Bolsonaro. Diante da situação, ela completou: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”.

Ao longo dos vídeos, Michelle se refere a Flávio pelo nome, como “meu enteado” ou “pré-candidato”, sem usar o sobrenome Bolsonaro em nenhum momento. Ela afirmou que o objetivo dos vídeos é “desmentir narrativas e notícias que circulam na imprensa”. A ex-primeira-dama foi direta: “Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam.”

Qual a reação de Flávio Bolsonaro?

Flávio Bolsonaro respondeu às acusações com uma transmissão ao vivo gravada antes do jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo. Na live, o senador (PL-RJ) apareceu ao lado da mulher usando uma máscara do atacante Neymar. “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse Flávio.

O senador relatou ainda ter visitado Jair Bolsonaro na prisão domiciliar nesta quarta-feira, 24, e afirmou que o ex-presidente “está forte” e “antenado no que está acontecendo”.

A briga pelo palanque no Ceará

O estopim da discussão, segundo Michelle Bolsonaro, foi um comício realizado em Fortaleza, no fim de 2025. Na ocasião, ela criticou publicamente a negociação do PL com Ciro Gomes (PSDB), que é pré-candidato ao governo do Ceará e havia atacado Jair Bolsonaro durante seu mandato. No palco, a ex-primeira-dama apontou para o deputado André Fernandes (PL-CE), um dos articuladores da aproximação, e disse que a aliança havia sido “precipitada”. “Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, afirmou.

Após o episódio em Fortaleza, Michelle Bolsonaro diz ter visto postagens de Flávio nas redes sociais com “palavras duras e tom agressivo” em defesa de André Fernandes. Para ela, as reações dos filhos de Jair Bolsonaro pareceram “premeditadas”. “Vi as postagens do Flávio contra mim. Palavras duras, tom agressivo defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides”, declarou.

Pesquisa Quaest de abril aponta Ciro Gomes na liderança das intenções de voto para o governo do Ceará, com 41%, contra 32% de Elmano de Freitas (PT) e 4% de Eduardo Girão (Novo). A aliança do PL previa o apoio de Ciro à candidatura presidencial de Flávio em troca de palanque no estado.

Michelle Bolsonaro afirmou que não é contra a aliança em um eventual segundo turno, mas defende que o partido dê chance no primeiro a um candidato “que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores”. “Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno”, disse a ex-primeira-dama.

Ataques e a filha adolescente Laura

Sem citar nomes, Michelle Bolsonaro afirmou ainda sofrer ataques diários de um grupo que está no exterior e que “alguns deles” aparecem em fotos com Flávio — em referência a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde o ano passado. Ela disse que sua filha adolescente, Laura, é afetada pela situação. “Fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo.”

A ex-primeira-dama também negou ter condicionado seu apoio à candidatura de Flávio a um pedido público de desculpas. “Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, afirmou Michelle. Apesar de dizer que Flávio vai à sua casa toda semana, ela afirmou que os dois não conversam. “Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado.”



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